Bolsonaro aponta laços mais fortes entre Brasil e EUA em encontro improvável com Biden

O encontro arranjado às pressas entre os dois ocorreu depois que Biden entrou em contato com Bolsonaro, um populista e admirador do ex-presidente Donald Trump, enquanto Washington procurava aumentar a participação em uma reunião de cúpula motivada por boicote.

Os dois líderes sentaram-se em cadeiras ligeiramente separadas quando os repórteres entraram na sala e pareciam evitar contato visual enquanto ouviam um ao outro por meio de tradutores durante sua reunião na Cúpula das Américas em Los Angeles.

“Temos um enorme interesse em nos aproximar cada vez mais dos Estados Unidos”, disse Bolsonaro, que, como Biden, olhou para frente enquanto seu colega falava.

“Em boa hora, nos distanciamos por questões de ideologia. Mas tenho certeza que desde nossa chegada ao governo brasileiro, nunca tivemos tantas oportunidades por causa das afinidades que nossos governos têm”, disse Bolsonaro.

Um resumo da Casa Branca divulgado após a reunião disse que os dois líderes concordaram em trabalhar juntos para evitar mais desmatamento da Amazônia.

As perguntas sobre os méritos da reunião se intensificaram depois que Bolsonaro voltou a elogiar Trump na terça-feira e chamou a eleição de Biden de “suspeita” em um eco das alegações infundadas de Trump.

Biden procurou usar a cúpula regional para desfazer o dano causado por Trump aos laços EUA-América Latina e combater a crescente influência da China na região.

No entanto, sua decisão de excluir os antagonistas dos EUA Cuba, Nicarágua e Venezuela por serem antidemocráticos provocou uma reação vigorosa e um boicote parcial de alguns aliados latino-americanos dos três governos autoproclamados de esquerda.

Para Bolsonaro, por outro lado, o encontro foi uma oportunidade de polir sua imagem enquanto se encaminha para uma dura campanha de reeleição.

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Além de seu apoio a Trump, o ex-capitão do Exército também questionou o sistema de votação do Brasil, chamando-o de suscetível a fraudes sem fornecer provas.

Suas tentativas de desacreditar as eleições de outubro levantaram temores de que ele não aceitará a derrota. Altos funcionários do governo Biden pediram a Bolsonaro que não prejudique a confiança no processo eleitoral.

No entanto, durante a reunião, Bolsonaro pareceu sugerir que aceitaria o resultado das eleições no Brasil.

“Fui eleito pela democracia e tenho certeza de que quando sair do governo também será democraticamente”, disse.

Bolsonaro também se ofereceu para trabalhar com Washington para elaborar uma solução para o que chamou de “episódio” da Rússia e da Ucrânia, em referência à invasão de Moscou ao seu vizinho.

Os dois líderes concordaram em “coordenar-se de perto” no Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre a crise na Ucrânia, de acordo com o resumo da Casa Branca, que, no entanto, não oferece detalhes.

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