Brasil: de volta ao básico para uma comunidade Guarani

Machete em uma mão, laptop na outra, o líder indígena Guarani Vanderlei Weraxunu faz o levantamento do terreno onde sua comunidade vai montar sua nova aldeia: em meio à floresta tropical ao norte do Rio de Janeiro, eles finalmente terão acesso à água e à terra arável terra.

Originários de outras regiões do Brasil, cerca de cinquenta indígenas da etnia Guarani Mbya fundaram a aldeia Céu Azul há dez anos, no município litorâneo de Marica.

Mas o terreno onde foram construídas sua casa e escola, cedido por um empresário, não era fértil e o único acesso à água era o abastecimento por caminhões-pipa.

Líder indígena Guarani Vanderlei Weraxunu na nova terra onde sua comunidade vai se estabelecer, no município de Marica, no estado do Rio de Janeiro, em 29 de julho de 2022 no Brasil (AFP – André BORGES)

“Há 150 anos havia um rio aqui. Mas no século passado o dono anterior transformou a terra em uma plantação de café e isso o matou.

Eles desmataram e o rio secou”, disse Vanderlei Weraxunu, porta-voz de sua comunidade, originária de Santa Catarina (sul).

Há vários anos, negocia-se com o poder público uma solução que finalmente se tornará realidade: se deslocarão 35 km em um terreno de 500.000 m2 oferecido pelo município onde corre um córrego.

“Podemos plantar” mandioca, batata-doce, “colher ervas medicinais”, alegra-se.

Maria Helena Jaxuka, líder espiritual da comunidade Guarani, visita o terreno onde será instalada sua nova aldeia, no município de Marica, no estado do Rio de Janeiro, em 29 de julho de 2022 no Brasil (AFP - André BORGES)
Maria Helena Jaxuka, líder espiritual da comunidade Guarani, visita o terreno onde será instalada sua nova aldeia, no município de Marica, no estado do Rio de Janeiro, em 29 de julho de 2022 no Brasil (AFP – André BORGES)

Os Guarani Mbya também pretendem cultivar sementes nativas, como o milho Guarani, ao qual atribuem caráter sagrado, e cultivar um bambuzal para fazer artesanato, importante fonte de renda para a aldeia.

“No momento está tudo difícil, temos que trazer bambus de outras aldeias” para fazer cestas, explica Maria Helena Jaxuka, a líder espiritual da comunidade, cocar de penas na cabeça.

– “Preservar a natureza” –

O novo terreno, cercado por uma floresta exuberante no topo de uma colina, requer terraplenagem. Os trâmites burocráticos para que a comunidade obtenha o título de propriedade devem ser concluídos em alguns meses.

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Indígenas Guarani visitam a terra onde será instalada sua nova aldeia, no município de Marica, no estado do Rio de Janeiro, em 29 de julho de 2022 no Brasil (AFP - André BORGES)
Indígenas Guarani visitam a terra onde será instalada sua nova aldeia, no município de Marica, no estado do Rio de Janeiro, em 29 de julho de 2022 no Brasil (AFP – André BORGES)

“A Câmara vai fornecer-lhes todos os edifícios: as cabanas para viver, a escola, um centro de saúde, um centro cultural para que possam receber visitantes e vender o seu artesanato”, explicou à AFP Maria Oliveira, coordenadora do Secretaria de Direitos da Prefeitura Municipal de Marica.

Vanderlei Weraxunu está entusiasmado com a ideia desse movimento, que tem o duplo objetivo de “preservar a natureza” e a “cultura, o modo de vida do povo Guarani”.

“O povo Guarani e todos os povos indígenas são guardiões da natureza. Dependemos dela, é o que nos dá a vida. Por isso cuidamos dela com amor”, diz.

Uma criança Guarani em frente a uma cabana construída no terreno onde será instalada sua nova aldeia, no município de Marica, no estado do Rio de Janeiro, em 29 de julho de 2022 no Brasil (AFP - André BORGES)
Uma criança Guarani em frente a uma cabana construída no terreno onde será instalada sua nova aldeia, no município de Marica, no estado do Rio de Janeiro, em 29 de julho de 2022 no Brasil (AFP – André BORGES)

Os Guaranis são estimados em 280 mil na América do Sul, divididos entre Brasil, Argentina, Bolívia e Paraguai, segundo uma contagem de 2016 que reúne dados oficiais e de ONGs.

Cerca de 85.000 membros dos subgrupos Kaiowa, Nhandeva e Mbya vivem atualmente no Brasil, dos quais mais de 64.000 estão concentrados no estado do centro-oeste de Mato Grosso e cerca de 20.000 nas regiões sul e sudeste do Brasil. .

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