O presidente brasileiro se opõe a alguns pontos da polêmica lei de agrotóxicos

O presidente brasileiro se opõe a alguns pontos da polêmica lei de agrotóxicos

O presidente brasileiro decidiu vetar vários pontos-chave de uma lei que flexibiliza as regras sobre pesticidas no país, o principal consumidor mundial de produtos vegetais tóxicos.

A presidência brasileira anunciou, quinta-feira, 28 de dezembro de 2023, em comunicado à imprensa, que “após consulta aos ministérios competentes, o presidente decidiu vetar algumas disposições, a fim de garantir uma boa integração entre as necessidades de produção e o equilíbrio sanitário e ambiental .” Assim, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva se opôs a 14 seções de doze artigos da lei que visavam facilitar a certificação de novos pesticidas e conceder maiores poderes de tomada de decisão ao Ministério da Agricultura.

Muitas divergências

Mas, segundo o Greenpeace, “as secções derrubadas não são suficientes para garantir que as pessoas evitem alguns dos aspectos mais prejudiciais” da lei. Em nota à imprensa, a ONG ambientalista criticou “o projeto de lei que colocará mais produtos químicos agrícolas tóxicos na alimentação dos brasileiros e poluirá ainda mais o meio ambiente”.

O agronegócio, um dos principais motores da economia brasileira, segue um modelo de produção que tem como um dos pilares o uso intensivo de agrotóxicos. O Brasil, maior consumidor mundial de produtos fitossanitários tóxicos, consumiu 719.507 toneladas em 2021, ou 20% do total comercializado mundialmente, segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).

Após mais de vinte anos de debate, o Senado aprovou o texto em 28 de novembro de 2023, com apenas um voto contrário. Na pauta da Câmara dos Deputados desde 1999, voltou à pauta em 2022 por deputados que defendiam os interesses do agronegócio, grupo de lobby mais influente do Parlamento, com apoio do então presidente de extrema direita, Jair Bolsonaro , um fervoroso defensor deste setor.

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Esse texto, que seus críticos chamaram de “lei do veneno”, foi objeto de intensas negociações entre senadores e o governo do presidente de esquerda Luiz Inácio Lula da Silva.

Padrões muito vagos

Se o governo conseguiu manter o termo “toxinas agrícolas”, que os deputados substituíram pelas palavras “insecticida” e “produto fitofarmacêutico”, como mais neutro, isso não impediu uma grande mudança: alguns pesticidas, em particular produtos que têm comprovadamente cancerígenos, mutagênicos ou prejudiciais ao meio ambiente, não serão mais automaticamente proibidos.

A partir de agora, a proibição abrangerá produtos que representem um “risco inaceitável” para os seres humanos ou para o ambiente, critério que os oponentes do texto consideram demasiado vago. “Será aplicada análise de risco, mas não sabemos como será feita nem quem será o responsável por ela”, disse Solly Araujo, ex-chefe da Agência Brasileira de Proteção Humana, à AFP.

Além disso, pela nova lei, será possível produzir agrotóxicos exclusivamente para exportação no país, sem necessidade de licença. Embora Lula finja ser um defensor da região amazônica, onde o desmatamento diminuiu desde que ele voltou ao poder em janeiro, a questão dos pesticidas mancha seu histórico, segundo ambientalistas.

A questão dos pesticidas também tem uma dimensão internacional. A sua utilização generalizada pelos produtores brasileiros é um dos argumentos defendidos por aqueles que, na Europa, se opõem ao acordo de livre comércio entre a União Europeia e o bloco sul-americano Mercosul, do qual o Brasil é um peso pesado.

Agência de imprensa francesa

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