A onda evangélica varre o Brasil

A onda evangélica varre o Brasil

” Não tenha vergonha! Abandone suas dúvidas! » Pastor Renato clama aos milhares de fiéis reunidos diante dele. Traje escuro e cabelo penteado para trás, o monge inicia um longo sermão sobre o bezerro de ouro. Neste domingo, 26 de novembro, ele ficará duas horas no palco. Lirismo, humor, mãos ao céu e oração ajoelhada, o orador desperta o fervor do seu rebanho, levado às lágrimas. Um grande show, como os evangélicos sabem fazer

O cenário é espetacular. Construído no coração de São Paulo, o Templo de Salomão pretende reproduzir o de Jerusalém, destruído por Nabucodonosor II no século VIe século a.C. É hoje o maior edifício religioso do Brasil: “Quase o dobro do Cristo do Rio!” », gostamos de lembrar as pessoas aqui. Com 10 mil lugares sentados, 126 metros de comprimento e 55 metros de altura, ocupa o equivalente a cinco estádios de futebol. Ao fundo, um “jardim bíblico” oferece uma imersão no Antigo Testamento, com uma réplica das “dimensões originais” do tabernáculo de Moisés. Inaugurados em 2014 pela Igreja Universal do Reino de Deus, esses suntuosos lugares terá custado um total de 210 milhões de euros.







Kitsch e colossal, esse conjunto ilustra a ascensão meteórica dos evangélicos no Brasil. Na década de 1970, o país ainda era 91% católico e 5% protestante. Cinco décadas depois, a proporção é de 50% contra 31%, ou 66 milhões de reformados, segundo o instituto Datafolha. A este ritmo, a Igreja Romana poderá encontrar-se em minoria até 2032: uma transição religiosa de velocidade sem precedentes num país com 210 milhões de habitantes.

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A onda evangélica – subtítulo da obra Jesus te ama, da jornalista Lamia Oualalou, publicado pela Editions du Cerf, em 2018 − é observada em todo o território, particularmente nas periferias das metrópoles do sudeste, como São Paulo e Rio de Janeiro, e na fronteira agrícola, como em Mato Grosso e a Amazônia, onde os protestantes já são maioria.

O Templo de Salomão, antes de sua inauguração em São Paulo, Brasil, 31 de julho de 2014.

Durante cinco séculos, a Igreja Católica Apostólica Romana esteve em casa no Terra da Vera Cruz (“terra da verdadeira cruz”), primeiro nome do Brasil. Durante a colonização portuguesa (1500-1822), encarregou-se da educação, da catequização dos indígenas, dos registos de nascimentos, óbitos e casamentos. Na independência, o Império do Brasil (1822-1889) estabeleceu o catolicismo como sua religião oficial.




Sob a república secular, o Vaticano manteve toda a sua influência, simbolizada pela inauguração, em 1931, do Cristo do Corcovado com vista para o Rio de Janeiro. O Brasil ganhou então o apelido de “o maior país católico do mundo”.

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