Atritos internos, problemas de adaptação e parceria para além do campo: o fim da relação entre Honda e Botafogo | bota

UMA relacionamento entre Botafogo e Keisuke Honda chegou ao fim e o último capítulo, a rescisão do contrato, será escrito ainda esta semana. Lesionado e com uma proposta do futebol europeu, os japoneses pediram para deixar o clube após dez meses de campanha publicitária, mas com poucos resultados em campo. No entanto, esse pode não ser o ponto final de sua história com o time alvinegro.

O dar apurou que o meio-campista de 34 anos quer manter algum vínculo com o Botafogo, mas os detalhes dessa nova fase da parceria ainda não foram definidos. Existe a possibilidade de a Honda se tornar embaixadora do Bota na Ásia, levando a marca do clube brasileiro para outro continente. O japonês também quer distribuir planos de parceiros-apoiadores para alvinegros e ter projetos no Brasil.

A ajuda do atleta, como ele próprio supôs na decisão de deixar o clube, ainda é na flexibilização da folha de pagamento nos próximos dois meses, embora seu salário não influencie muito nas despesas mensais do Botafogo. O contrato previa rescisão por qualquer uma das partes a qualquer momento, o que era feito pelos japoneses.

O negócio entre Honda e clube veio sem traumas, e o camisa 4 entendeu que era melhor ficar perto da família para se recuperar da lesão na coxa esquerda antes de definir o futuro. O Botafogo concluiu que segurar um jogador insatisfeito não seria produtivo.

Honda deixa Botafogo após 27 jogos – Foto: Vitor Silva / Botafogo

O que está por trás da decisão?

A lesão que o mantém afastado até fevereiro e o interesse do mercado europeu são dois grandes fatores que explicam o divórcio. Mas eles não são os únicos. A dificuldade de adaptação ao futebol brasileiro pesou sobre o jogador.

A Honda tinha uma cultura de processamento difícil, fuso horário, clima e, portanto, não estava se sentindo 100%. Parte dos problemas físicos estão nessa adaptação, além da velhice.

Outro fator que pesou na decisão foi o atrito no vestiário. O japonês às vezes ficava insatisfeito com os hábitos e posturas de alguns companheiros. Ao mesmo tempo, a liderança do estrangeiro não foi bem aceita pelo elenco. Depois de derrota para São Paulo, 20 dias atrás, dar trouxe que o o clima no vestiário incomodou os funcionários.

O meio-campista ainda se sentia incomodado com a desorganização do calendário do futebol brasileiro e, principalmente, com a problemas internos com o Botafogo. A falta de uma gestão profissional, que levou a equipe a ter cinco treinadores na temporada, já rendeu críticas da Honda.

A ideia de sair do Botafogo não vem de agora, mas o meio-campista havia acertado com a nova comissão técnica e com o empresário Túlio Lustosa, tanto que assinou a prorrogação até 28 de fevereiro de 2021. A lesão era o ingrediente que a Honda precisava para sair.

O técnico Eduardo Barroca tomou conhecimento da situação no último domingo, após a derrota para o Corinthians, e ainda não teve oportunidade de conversar com o atleta. A diretoria informou ao departamento de futebol que a decisão foi tomada e não estava aberta ao diálogo.

Veja os três gols da Honda pelo Botafogo

Resultados abaixo das expectativas

Nos dez meses e 27 jogos pelo Botafogo, a Honda teve atuações regulares, mas não foi brilhante. O jogador atuou em muitos momentos como o organizador da equipe, mas raramente alcançou gols e grandes jogadas.

Mesmo sem ter apresentado futebol suficiente para se destacar, Honda conquistou espaço no meio-campo e o entendimento é que sua experiência faltará no pequeno time do Botafogo. Sem possibilidade de novas contratações para o brasileiro, a perda do japonês enfraquece a competição interna.

Mas a maior expectativa sempre esteve fora das quatro linhas. O Botafogo fez uma série de planos para usar a imagem dos japoneses, dar visibilidade internacional ao clube, atrair torcedores e arrecadar dinheiro com os associados e vender produtos. Os planos ficaram no mundo das ideias e os resultados fora do campo também não foram significativos.

A princípio, o Botafogo conseguiu aumentar o número de torcedores-parceiros. O clube também pensou em produtos personalizados: foram vendidas camisetas com o nome Honda em japonês, a número 4 e as bandeiras do Brasil, Japão e Botafogo; recentemente, foi lançada a almofada japonesa. A pandemia e os jogos sem público acabaram atrapalhando os planos.

O Botafogo ganhou com mídia espontânea, proximidade com parceiros específicos e maior visibilidade internacional, mas longe do que foi projetado. Por outro lado, a Honda ajudou além dos muros do General Severiano e Nilton Santos.

Honda transforma vidas com doações diárias

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Os japoneses se envolveram com os problemas do Brasil, e a realidade do Rio de Janeiro o fez querer ajudar os brasileiros. Desde que chegou, preocupa-se com as questões sociais e, principalmente, com o acesso das crianças à educação. Chegou a pensar em criar um projeto voltado para os jovens, e o incentivo, mesmo na saída do Botafogo, não é descartado.

Além disso, a Honda desenvolveu ação solidária por meio de suas redes sociais para doar R $ 500 aos seguidores brasileiros. Prestes a deixar o Brasil, o japonês agora pensa em outras formas de manter o relacionamento com o país e com o Botafogo.

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