Brasil | Número de mortos por chuva forte sobe para pelo menos 79 mortos e 56 desaparecidos

Brasil |  Número de mortos por chuva forte sobe para pelo menos 79 mortos e 56 desaparecidos

(Recife) As chuvas torrenciais que causaram inundações e deslizamentos de terra desde terça-feira na região do Recife, no nordeste do Brasil, deixaram pelo menos 79 mortos e 56 desaparecidos, segundo o último relatório oficial publicado no domingo.

Atualizado ontem às 18h34

Artur DE SOUZA
Agência de mídia da França

“A partir das 18h deste domingo, o número de mortos em decorrência da chuva chegou a 79”, informou a Defesa Civil do Estado de Pernambuco em comunicado, informando também 56 desaparecidos.

Durante uma pausa, cerca de 1.200 homens, com helicópteros e barcos, retomaram a busca pelos desaparecidos e isolados no domingo.

A tempestade causou deslizamentos de terra nas encostas, transbordando rios e grandes torrentes de lama que varreram tudo em seu caminho.

Imagens divulgadas pelas autoridades locais no domingo mostram equipes de resgate e voluntários limpando escombros no Jardim Monteverde, na divisa entre Recife e o município de Jaboatão dos Guararapes.

Foto Marlon Costa, Associated Press

Entre a noite de sexta-feira e a manhã de sábado, o volume de precipitação atingiu 70% do que é normalmente esperado para todo o mês de maio em partes de Pernambuco.

É nesta região onde há favelas que ocorreu a maior tragédia na manhã de sábado, quando um deslizamento de terra matou 19 pessoas.

“Onze pessoas da minha família estão mortas”

Onze dos mortos neste deslizamento de terra eram parentes de Luiz Estevão Aguiar, questionado em lágrimas pela TV Globo.

“Minha irmã morreu, meu cunhado morreu, onze pessoas da minha família morreram, foi difícil. Foi muito difícil. Eu não esperava isso”, disse o idoso, que mora em outra comuna.

Atrás dele, uma corrente humana de pessoas com os pés afundados na lama passava por baldes de detritos rolando morro abaixo.

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As autoridades haviam avisado no sábado que chuva forte estava prevista para domingo, mas a tempestade finalmente diminuiu pela manhã.

Entre a noite de sexta-feira e a manhã de sábado, o volume de precipitação atingiu 70% do que é normalmente esperado para todo o mês de maio em partes de Pernambuco.

“Embora tenha parado de chover, esperamos chuva forte nos próximos dias. A primeira coisa a fazer é, portanto, manter as medidas de autoproteção”, disse o ministro do Desenvolvimento Regional, Daniel Ferreira, que sobrevoou a área do desastre junto com outras autoridades brasileiras.

O presidente brasileiro Jair Bolsonaro disse que visitará Recife na segunda-feira.

O meteorologista Estael Sias, da agência MetSul, explicou à AFP que as fortes chuvas que atingem Pernambuco e, em menor grau, outros quatro estados do Nordeste do país, são resultado de um fenômeno típico desta época do ano, as “ondas orientais”. São, segundo ela, áreas de “perturbação atmosférica” que se deslocam do continente africano para o litoral brasileiro.

“Em outras partes do Atlântico essa instabilidade forma furacões, mas no nordeste do Brasil tem potencial para produzir muita chuva, inclusive trovoadas”, explicou.

As imagens do fim de semana relembram a tragédia ocorrida em fevereiro em Petrópolis, no estado do Rio de Janeiro (sudeste), onde 233 pessoas morreram durante chuvas torrenciais e deslizamentos de terra.

Segundo especialistas, esse tipo de tragédia também pode ser explicado pela topografia da área e pela presença de grandes favelas, com moradias construídas em sua maioria ilegalmente em áreas de risco íngremes.

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