Brasil | Retomada do julgamento do ex-presidente Bolsonaro, ameaçado de inelegibilidade

Brasil |  Retomada do julgamento do ex-presidente Bolsonaro, ameaçado de inelegibilidade

(Brasília) Um dos sete juízes responsáveis ​​por decidir sobre a possível inelegibilidade de Jair Bolsonaro votou terça-feira pela condenação do ex-Presidente brasileiro, mas o suspense mantém-se até à próxima sessão marcada para quinta-feira.



Derrotado no ano passado nas eleições presidenciais, será o líder da extrema-direita condenado a oito anos de inelegibilidade e, portanto, privado de vingança nas eleições de 2026? É isto que está em causa neste julgamento por “abuso de poder político e utilização indevida de meios de comunicação” que começou em 22 de junho.

O relator Benedito Gonçalves, primeiro e único juiz do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a votar na noite de terça-feira, declarou-se inelegível, acusando Bolsonaro de “discurso violento e mentiras” que “colocaram em risco a credibilidade da justiça eleitoral”.

Ausente, o ex-capitão do Exército, de 68 anos, está sendo processado por atacar a justiça eleitoral e criticar, sem provas, a confiabilidade do voto eletrônico, poucos meses antes das eleições vencidas por seu rival de esquerda, Luiz Inácio Lula da Silva.

Em discurso proferido em julho de 2022 na residência presidencial do Alvorada, e transmitido pela televisão pública, declarou aos diplomatas que deseja “corrigir falhas” no voto eletrônico com a “participação das Forças Armadas”.

Segundo o juiz Gonçalves, o encontro com os embaixadores “serviu para criar um estado de paranóia colectiva” através de “um conjunto de informações falsas e distorcidas” sobre o sistema eleitoral.

Considerou que o ex-chefe de Estado utilizou “o seu cargo público e o seu comando das Forças Armadas para atiçar as tensões institucionais”, lembrando que após a sua derrota, poucos meses depois, Bolsonaro não fez o “gesto esperado ”de aceitação explícita dos resultados.

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Após esta primeira votação, o julgamento foi suspenso. Deve ser retomado na quinta-feira, em novo plenário, com a votação esperada dos outros seis juízes. Um novo atraso não pode ser descartado.

“A tendência, o que todos dizem, é que vou ser inelegível”, declarou descaradamente o ex-presidente (2019-2022) numa entrevista publicada terça-feira pelo diário Folha de S.Paulo.

“Não vou desesperar”, “vou continuar a desempenhar o meu papel”, garantiu, no entanto, enquanto a questão do pós-Bolsonaro é cada vez mais colocada no seu campo e na imprensa.

“Bolsonaro aguarda a decisão com respeito”, disse seu advogado Tarcísio Vieira aos jornalistas antes da sessão. Segundo ele, “as evidências são frágeis para uma sanção desta magnitude, uma proibição de oito anos”.

Em caso de condenação, a defesa pretende interpor recurso para o Supremo.

Para a promotoria, ele buscou “dar a impressão errônea de que o processo eleitoral” no Brasil “é obscuro” e sujeito a “manipulação”, com o “objetivo de desacreditar” o resultado das próximas eleições.

Jair Bolsonaro perdeu por apenas 1,8% no segundo turno no final de 2022 contra Lula. Os partidos de direita e de extrema-direita são ainda mais fortes no Parlamento do que eram durante o seu mandato, representando um grande desafio para o presidente de esquerda, que regressou após dois mandatos (2003-2010).

O ex-líder também é alvo do Supremo Tribunal Federal em cinco casos, em particular por seu suposto papel na inspiração dos ataques sem precedentes de 8 de janeiro contra lugares de poder em Brasília, e corre o risco de ser preso. Ele também enfrenta cerca de quinze processos perante a Justiça Eleitoral.

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