Canadá e Brasil duramente atingidos por fogo e água

Canadá e Brasil duramente atingidos por fogo e água

Os incêndios estão assolando o oeste do Canadá e enchentes monstruosas já mataram cerca de 150 pessoas no Brasil. Os esforços de socorro são sobrecarregados e as duas potências mergulham em crise. Nossos correspondentes no local descrevem a situação.

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Os incêndios no oeste do país estão a obrigar milhares de pessoas a abandonar as suas casas para escapar às chamas.  (CHEYENNE BERREAULT/ANADOLU)

Depois de incêndios gigantescos no verão passado, o Canadá já é vítima de incêndios muito grandes no oeste do país. Os residentes de algumas localidades são forçados a deixar suas casas no Norte e na Colúmbia Britânica. Por sua vez, o Brasil enfrenta inundações no extremo sul do país. As chuvas torrenciais das últimas duas semanas no estado do Rio Grande do Sul, uma importante região agrícola, mataram cerca de 150 pessoas, segundo um balanço ainda provisório, e causaram uma destruição considerável.

No Canadá, os 4.000 habitantes de Fort Nelson e de outra aldeia onde vivem membros das Primeiras Nações tiveram que encontrar refúgio a quatro horas de distância de suas casas ou até mais ao sul. Vários incêndios que cobrem centenas de quilómetros quadrados estão actualmente a devastar a região. Um pouco mais a leste, em Alberta, alguns dos 68 mil cidadãos de Fort McMurray, localizados no meio da floresta, abandonaram as suas casas enquanto um grande incêndio assola a área, que já queimou parcialmente alguns bairros há oito anos. Sem falar na província vizinha, Manitoba, onde um grande incêndio, provocado por um raio, gira em torno de uma aldeia evacuada dos seus residentes.

Incêndios que começam muito cedo na temporada. O oeste do Canadá tem experimentado um déficit de chuva significativo há vários anos e temperaturas bem acima das normas sazonais. Como resultado, os solos ficam secos e muito inflamáveis ​​na primavera, quando as árvores ainda não têm folhas. Além dessas condições climáticas, há também outro motivo, conforme explica o pesquisador de ecologia florestal Yan Boulanger.

“Vários destes incêndios, que queimaram muito território este ano, são na verdade incêndios que nunca se apagaram no ano passado, que simplesmente passaram o inverno, debaixo da neve, no húmus, na matéria orgânica”.

Yan Boulanger, pesquisador em ecologia florestal

em françainfo

“E com o benefício de condições agora muito favoráveis ​​para a primavera, estes incêndios despertaram e continuaram a queimar o território este ano de forma bastante significativa”, continua o pesquisador. Uma dor de cabeça para os serviços de emergência, pois incêndios ocorrem em vários locais ao mesmo tempo.

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De acordo com os modelos climáticos, é provável que o aumento das temperaturas do ano passado e a falta de precipitação voltem a ocorrer neste verão. O que leva o pesquisador Yan Boulanger a dizer que os canadenses não terão escolha a não ser conviver com os incêndios florestais, principalmente no oeste do país. As cidades e aldeias já estão a plantar plantas menos inflamáveis ​​perto das casas e, acima de tudo, os residentes estão cada vez mais atentos ao risco de incêndio que pode ocorrer a qualquer momento. Mais esforços também estão sendo investidos para ajudar os bombeiros. Deve-se notar, entretanto, que o Canadá tem um número de aviões-tanque bem abaixo das suas necessidades.

A provação também não termina para os habitantes do Rio Grande do Sul no Brasil. Nas últimas duas semanas, as inundações causaram destruição generalizada, com 90% dos municípios do estado afetados, mais de dois milhões de pessoas afetadas e inúmeras infraestruturas destruídas.

Soldados, agentes da polícia, funcionários do governo, milhares de homens e mulheres estão mobilizados no local, mas os serviços de emergência parecem sobrecarregados pela escala da tarefa, apesar de uma mobilização sem precedentes de voluntários civis. Além das operações de resgate, limpeza ou distribuição de água e alimentos, devemos também lutar contra os criminosos que se aproveitam do caos, ao mesmo tempo que nos preparamos para os riscos de doenças causados ​​pelo contacto com água suja. O presidente Lula admitiu na segunda-feira que o Brasil não estava preparado para tal desastre: “É um desastre para o qual não estávamos preparados. Não estávamos preparados para algo desta magnitude. Já tivemos inundações antes, mas nunca nestas proporções. As vítimas, os desaparecidos e até os animais que “vemos perdidos ou sofrendo, tudo isso choca muito a sociedade brasileira.”

A gestão de desastres é um teste crucial para o presidente brasileiro. A oposição bolsonarista sabe disso e divulga inúmeras notícias falsas para tentar minar a credibilidade do governo. Preocupado, Lula reuniu nesta segunda-feira todos os seus ministros para uma reunião excepcional sobre o tema e preferiu cancelar uma viagem ao Chile para ir para lá.

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Na capital Porto Alegre, o rio Guaíba parecia estar recuando, dando aos moradores uma aparência de esperança. Mas com o regresso das chuvas torrenciais e do solo completamente encharcado, o nível está a subir e poderá muito bem ultrapassar o recorde da semana passada. Em outras partes do estado, o cenário é semelhante e os deslizamentos continuam sendo um grande risco. Sem parar completamente, a precipitação deverá ser menos intensa até o final da semana. Por outro lado, as temperaturas cairão e as autoridades terão de gerir as 600 mil pessoas que tiveram de abandonar as suas casas, incluindo 81 mil que encontraram refúgio nos abrigos fornecidos.

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