Jeans da Zara e H&M contribuem para a destruição das florestas do Cerrado no Brasil

Jeans da Zara e H&M contribuem para a destruição das florestas do Cerrado no Brasil

A soja não é a única cultura que está destruindo as florestas do Cerrado. Os campos de algodão também contribuem para o desaparecimento desta savana arborizada, um precioso sumidouro de dióxido de carbono, que cobre mais de 1,5 milhões de quilómetros quadrados. Em sua investigação “Crimes de Moda. Gigantes europeus ligados ao escândalo do algodão brasileiro”, publicado quinta-feira, 11 de abril, a organização britânica Earthsight denuncia as falhas do cultivo intensivo desse ouro branco, que, do Brasil, é exportado para a Ásia para a confecção dos jeans Inditex, dona da Zara, a a empresa de roupas número um do mundo e a H&M.

A associação de defesa ambiental já se debruçou sobre a responsabilidade das marcas na destruição de ambientes naturais; em 2021, ela investigou a madeira utilizada pela Ikea e o selo FSC que supostamente garantiria o manejo florestal sustentável.

No Brasil, doze meses de investigação, análise de dados, atas, visualização de imagens de satélite e entrevistas com agricultores estabeleceram que dois grandes produtores brasileiros de algodão, Grupo Horita e SLC Agrícola, lucram com o desmatamento ilegal, realizado na parte oeste do Estado da Bahia, e exportar seus fardos obtendo a certificação Better Cotton (BC), selo que deveria garantir ao consumidor a “melhor algodão”, nas lojas Zara e H&M.

Desmatamentos ilegais

Os três autores conseguiram estabelecer, com base em sentenças e multas impostas pelas autoridades públicas brasileiras, que essas duas empresas exploram campos criados através do desmatamento ilegal. No oeste do estado da Bahia, a SLC Agrícola, principal produtora de algodão do Brasil, opera 44 mil hectares de plantações de algodão. O Grupo Horita possui 140 mil hectares na região, alternando culturas de algodão, milho e soja.

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Durante colheita de algodão do Grupo Horita, na Bahia (Brasil), em junho de 2023.

“Em 2014, o órgão ambiental do Estado da Bahia estimou que 25.153 hectares explorados pela Horita eram desmatamento ilegal”, argumenta a ONG. Em 2020, a mesma agência estimou que “11,7 mil hectares desmatados pela empresa entre 2010 e 2018” não tinha sido objecto de qualquer autorização, acrescenta, calculando em “mais de vinte” o número de multas aplicadas a Horita, entre 2010 e 2019, no valor de 4,5 milhões de dólares (4,2 milhões de euros). A SLC também estaria por trás do desmatamento de milhares de hectares, em 2022, em uma de suas fazendas, segundo a ONG.

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A expansão das culturas ocorreu às custas do domínio público. Principalmente nos municípios de Correntina e Formosa do Rio Preto, onde, apesar de uma política de proteção ambiental, milhares de hectares de floresta desapareceram em favor de grandes campos, argumenta a Earthsight.

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