Parece difícil implementar uma moeda comum entre Brasil e Argentina

Parece difícil implementar uma moeda comum entre Brasil e Argentina

A chegada de Luiz Inácio Lula da Silva à presidência do Brasil representa uma melhoria nas relações com a vizinha Argentina, que também é governada por um partido de esquerda. Isto incluirá o relançamento do projecto monetário conjunto entre os dois países. “Decidimos avançar nas discussões sobre uma moeda comum para a América do Sul que possa ser usada para fluxos financeiros e comerciais, reduzir custos operacionais e reduzir nossa vulnerabilidade externa.», confirmaram os presidentes Lula, por um lado, e Alberto Fernández, da Argentina, em comunicado conjunto à imprensa por ocasião da primeira visita de um presidente brasileiro a Buenos Aires em três anos. “O objetivo é impulsionar o comércio internacional regional e reduzir a dependência do dólar americano», aponta Eric Dorr, Diretor de Estudos Económicos do IESEG.

Este anúncio não é uma surpresa. Este projeto fez parte do programa eleitoral de Lula. Essa moeda comum, que se chamará “Sur”, será negociada em paralelo com as moedas nacionais (Real Brasileiro e Peso Argentino). “Deve ser feita uma distinção entre uma moeda comum e uma moeda unificada como o euro. O economista explica. a A moeda comum coexiste com as moedas nacionais e tem uma taxa de conversão fixa com cada moeda nacional participante. Algumas transações são reservadas para a moeda comum“.

Mas os seus contornos terão que esperar. “Haverá a decisão de começar a estudar os critérios necessários para uma moeda comum, que inclui tudo, desde questões fiscais até à dimensão da economia e ao papel dos bancos centrais.», destacou o ministro da Fazenda argentino, Sergio Massa, na conferência Tempos Financeiros. É possível estender-se a outros países, mas esta área monetária só verá a luz durante vários anos.

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Diferenças econômicas

Isso é realista? Muitos critérios desempenham um papel na definição da zona monetária ideal (OMZ), observa Eric Dorr, que está agora a aumentar o fosso entre os dois países. Primeiro, a consistência dos ciclos económicos, que no caso do Brasil e da Argentina esteve fracamente associada ao risco de choques assimétricos e de políticas monetárias divergentes. Em seguida vem a inflação. A política monetária implementada pelo Banco do Brasil permitiu reduzir a inflação para 5,8%, enquanto a taxa de inflação na Argentina está próxima de 100%. Isto se reflete na volatilidade das taxas de câmbio nos dois países (o peso desvalorizou 46% em relação ao real no ano passado), que é outro dos critérios centrais do ZMO. Finalmente, embora o comércio entre os dois países esteja em desenvolvimento, é desequilibrado a favor do Brasil.

A falta de mobilidade de capitais, bem como a rigidez de preços e salários, mostram que a região não está actualmente preparada para um regime cambial unificado.“, aponta Ihsan Khoman, chefe de pesquisa de mercados emergentes da EMEA no MUFG, para quem esta moeda comum não tem base, especialmente porque exige uma disciplina orçamentária prudente. A Argentina entrou em default duas vezes nas últimas duas décadas. Na melhor das hipóteses, este desenvolvimento poderia criar condições que poderiam levar às tão necessárias reformas estruturais nestes mercados emergentes“, ele adiciona.

Além disso, se o sucesso da moeda comum depende principalmente destes critérios, é também o resultado de um acordo político. No entanto, é possível que um novo governo, mais de direita, surja das eleições presidenciais argentinas deste ano. “Parece que há pouca demanda para grande parte da população da Argentina e do Brasil“, finalmente observa Eric Durr.

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